Você Realmente Sabe Quem Foi Yeshua?

Por Sha’ul Bentsion Ben Avraham (Baseado em diversas fontes da Internet)

Parte I
Yeshua, o Judeu


I.1 - INTRODUÇÃO

Se alguém te perguntar quem é Paul McCartney você saberia responder?Creio que a grande maioria saberia dizer que era um dos integrantesdos Beatles. Outros lembrariam que ele mora na Inglaterra, outrosainda que ele foi casado com Linda McCartney. A grande maioria daspessoas pouco sabe sobre os detalhes da vida dele. Mas, se vocêperguntasse isto a um membro de um fã-clube dos Beatles? Vocêprovavelmente esperaria que eles conhecessem muitas coisas a respeitodo Paul McCartney.

Agora, se alguém te perguntasse o que você sabe sobre quem foiYeshua? Como ele viveu? A que grupos sociais ele pertencia? Entreoutras… Infelizmente, a realidade é que muitos dos que se dizemseguidores dele mal o conhecem! E você, realmente sabe quem foiYeshua? Esta série de artigos tem por objetivo justamente isto:contar um pouco mais sobre Yeshua e a vida que ele levava.


I.2 – PODEMOS CUSTOMIZAR O MESSIAS?

Uma das grandes mentiras que a "Nova Era" propaga entre os povos é aidéia de que D-us pode ser do jeito que você desejar que Ele. É comoum verdadeiro supermercado espiritual onde as pessoas escolhem aquilono que crer. Infelizmente, muitos dos ditos seguidores de Yeshua fazemo mesmo com ele, às vezes até mesmo sem perceber. O Yeshua que éapresentado nos Evangelhos não é uma pessoa mística que se enquadra aqualquer gosto. Yeshua nasceu, cresceu, viveu e pregou entre judeus.Fez discípulos judeus, que o descreveram nos livros do B'rit Chadashah(Novo Testamento) dentro de uma ótica judaica. Se o removemos de Seucontexto judaico, jamais o entenderemos de fato.

O movimento iniciado por Yeshua cresceu tanto que hoje é encontrado emcada tribo e nação do planeta. Tal fé rompeu todas as barreirasculturais e sociais. Em Yeshua, a mensagem de D-us é para todos, asalvação é para todos, e não há divisões étnicas ou barreiras raciais.Contudo, o centro da fé bíblica é Yeshua, e Yeshua é um judeu.


I.3 – O NASCIMENTO DE UM JUDEU CHAMADO YESHUA

Ele nasceu de uma mãe judia, e pertenceu a uma típica família judaica.Como todo filho homem judeu, fez o seu B'rit Milá, ou seja, foicircuncidado ao oitavo dia. De acordo com a tradição judaica, recebeuo seu nome no dia em que foi circuncidado, como os judeus o fazem atéhoje. Ele recebeu o nome de Yeshua. O nome foi dado porque Yeshuasignifica "salvação". Yeshua recebeu a missão de salvar o Seu povo detodos os seus pecados. Pergunta: Yeshua falhou em tal missão? Esperoque ninguém responda que sim! Se Yeshua não falhou, porque ainda hápessoas que insistem em dizer que os judeus não serão salvos? O povode Yeshua descende de Avraham (Abraão), Itschak (Isaque) e Ya'akov(Jacó). O povo de Yeshua é o povo judeu.


I.4 – A VIDA COMUNITÁRIA DE YESHUA

Yeshua foi criado como judeu numa comunidade que seria equivalente aoque é hoje uma comunidade judaico-ortodoxa. Você conhece umacomunidade judaico-ortodoxa? Não? Sem ao menos sabermos como é, jamaisentenderemos a Yeshua plenamente.

Natseret (Nazaré), sua cidade natal, foi fundada pelos descendentes doRei David, e ficava na Galiléia, uma região totalmente judaica. Vocêconhece a história da Galiléia, berço de nosso Salvador? Pois é, poucose conta nas igrejas que a Galiléia era um dos maiores centros deestudos judaicos de Israel naquela época. Yeshua não simplesmente"nasceu sabendo" tudo o que ele sabia. Lembre-se de que Ele se desfezde Sua glória para se tornar humano. Não foi por acaso que o Pai ocolocou naquele local. Yeshua aprendeu de perto com alguns dos maioresrabinos daquela época. Você sabia que muitos de seus ensinamentos sãocitações de tais rabinos? Pois é, caro leitura, como você pode ver,sem conhecermos o trabalho de tal rabino, como compreender a educaçãoque teve nosso Messias? Yeshua foi educado como um Parush (fariseu).Certamente que tal educação influenciou suas disputas teológicas comalgumas escolas farisaicas. Ao contrário do que muitos crêem, Yeshuanão era contra TODOS os fariseus, mas tinha disputas sérias com osp'rushim (fariseus) da escola de Shamai, que eram extremamentelegalistas.

Sua vida na comunidade judaica foi absolutamente normal. Conforme ocostume judaico, ele observava todas as festas bíblicas, e buscava aoPai no Shabat, o dia que o Eterno desde a fundação do mundoestabeleceu como Seu dia.


I.5 – A ALIMENTAÇÃO DE YESHUA

Yeshua tinha uma saudável alimentação kasher, segundo a Torá emVayicra (Levítico) 11. Isto significa que carnes como a de porco,coelho, répteis, camarão, etc., além de boa parte da gordura animal,não faziam parte da sua dieta. Durante o Pessach (a "páscoa" judaica),Yeshua como todo bom judeu comia apenas pães sem fermento. Yeshuatambém jejuava no Yom Kippur, o conhecido Dia da Expiação, quando oSumo Sacerdote de Israel (Sumo Sacerdote) oferecia sacrifício pela expiação dopecado do povo.


I.6 – COMO YESHUA SE VESTIA?

Yeshua se vestia como judeu. Isto significa que não misturava lã comlinho, conforme determinação da Torá. Yeshua certamente usava talit,o sagrado manto de oração que contém os Tsitsit, que são as franjasque a Torá determina que usemos para nos lembrarmos de que devemosviver segundo os preceitos do Eterno. Os tsitsiyot de Yeshuapossuiam um fio azul, que simboliza o caminho de safira descrito emShemot (Êxodo) 24:10, ou seja o caminho do Eterno. Foi justamente nostsitsit de Yeshua que a mulher que tinha fluxo de sangue tocou e foicurada. Não foi um simples ato de tocar em Yeshua. Tocar nos tsitsitsignificava que ela reconhecia nEle a autoridade de Messias.

Como todo judeu de seu tempo, Yeshua também certamente usava kippá. Okippá é uma cobertura para a cabeça que representa nossoreconhecimento de que a Shechiná (Glória) do Eterno está sobre nós. Éuma vestimenta que deriva das vestes sacerdotais na Torá.

Yeshua também usava t'filim, popularmente conhecidos como filactérios.Os t'filim têm como objetivo simbolizar que as leis do Eterno estãopresentes em nossa mente (por isso é atado entre os olhos) e em nossosatos (na mão). A Torá do Eterno nos guarda para que não pequemos emnossa mente nem em nossos atos.


I.7 – YESHUA E A Sinagoga

No Shabat, pela manhã, Yeshua ia à Sinagoga. Ao contrário de muitoshoje em dia que fazem tudo por um microfone, Yeshua sabia que antes depoder falar e questionar, era necessário aprender. Provavelmente, comoera de costume, aos cinco anos Yeshua começou a aprender a o hebraico(sua língua nativa era o aramaico) e a estudar a Torá do Eterno. Porvolta dos 13 anos, Yeshua provavelmente fez o seu Bar mitsvá, umacerimônia que marca a passagem da criança para a vida adulta. Comotodo judeu, aos 13 anos Yeshua tinha que saber de cor toda a Torá.Fica a pergunta: nós que nos dizemos seguidores deles, quanto dasEscrituras sabem nossos filhos aos 13 anos? Será que nós sabemos hojetanto quanto um menino judeu sabia no tempo de Yeshua? Como teremosuma fé sólida sem conhecermos as escrituras.

No Shabat, Yeshua não só aprendia a Torá como recitava bênçãos.Estas bênçãos não são como nas igrejas pós-modernas. Não visavamprosperidade, mas sim darmos o devido reconhecimento ao Eterno dasoberania dEle sobre nossas vidas. Ao declararmos Sua majestade,fortalecemos nossa fé. Ao fortalecermos nossa fé, nossa vidaespiritual melhora. Com a vida espiritual melhor, somos mais felizes,mais preparados e nos sentimos mais próximos a D-us. O menino Yeshuasabia disto ao ler o Sidur (livro de bênçãos) a cada Shabat. Apóssua maioridade, Yeshua também passou a participar da leitura do Tanakh. É tradição judaica até hoje ler-se muito os textos sagrados noShabat. Foi desta forma que Yeshua pôde ler o rolo de Yesha'yahu(Isaías) e declarar que Ele era o cumprimento. Yeshua sempreargumentava a partir das Escrituras, espondo-as perante o questionador(uma técnica rabínica).

Ao final do Shabat, Yeshua participava do Kidush, que é o animadopartir do pão onde damos graças ao Eterno pelas provisões semanais. Osdiscípulos de Yeshua mantiveram esta prática após os serviços, tanto que é mencionado o partir do pão diversas vezes no livro de Atos.


I.8 – YESHUA SE TORNA UM RABINO

Yeshua tornou-se um respeitado rabino. Para alguém se tornar umrabino, é necessário (até hoje) muito estudo. Este foi certamente umdos motivos (ou talvez "o" motivo) de Seu ministério só ter seiniciado por volta dos 30 anos. Ele ensinava a partir do Tanakh(Tanakh significa: Torá, Nevi'im / Profetas, e Ketuvim / Escritos).Ao contrário do que aparece nos filmes, a grande maioria dosdiscípulos de um rabino eram meninos, bastante jovens. Com Yeshua nãoera diferente. Vemos até mesmo pela idade em que morreram que osdiscípulos de Yeshua tinham entre 13 e 20 anos, no máximo. Erammeninos inexperientes.

Ao contrário da nossa cultura, onde vamos à escola por 4-5 horas evoltamos para casa, um discípulo no judaísmo vivia com o seu rabino.Com os discípulos de Yeshua não era diferente. Eles não desviavam osolhos de Yeshua um minuto sequer. Será que somos assim?


I.9 – YESHUA: ETERNAMENTE JUDEU

Infelizmente, ao longo dos séculos, a figura de Yeshua transformou-seno "Jesus anti-semita" que encontramos primeiro na igreja de Roma, masque depois foi herdada por muitas outras igrejas. A teologiaanti-judaica e a premissa de que não é importante vivermos conforme asleis do Eterno nada tinha de semelhante com a pregação do rabinoYeshua, um grande judeu que viveu o pleno cumprimento da Torá.

Yeshua é um judeu, viveu como judeu, morreu como judeu, e de acordocom Ezequiel, continuará a ser o Sumo Sacerdote segundo a ordem deMalki Tsedek, oficiando no Templo (judaico) de Yerushalayim (Jerusalém).

Tão precioso sangue de Yeshua, derramado por nossos pecados no madeiro,era sangue judeu. E a placa acima de seu madeiro dizia: "Yeshua deNatseret, Rei dos Judeus"


Parte II
Com Quem Yeshua Estudou


II.1 – ONDE ESTUDOU YESHUA?

Segundo a tradição judaica, o Messias deveria ensinar ao povo acorreta interpretação da Palavra do Eterno. E foi isto que Yeshuafez. Para isto, antes de começar o seu ministério, Yeshua foi umaluno bastante aplicado.

Yeshua demonstrou grande familiaridade tanto com a linha dos essênios(com a qual teve contato através de seu primo Yochanan Bar Zachariá,popularmente conhecido como "João Batista") quanto com a linharabínica da escola de Hillel.

Mas seu conhecimento não se limitava às tais linhas. Yeshua, antes demais nada, conhecia profundamente as Escrituras e a sabedoria judaica.


II.2 - PARALELOS ENTRE YESHUA E A ESCOLA DE HILLEL

Os ensinamentos de Yeshua se assemelharam muito com a linha da escolade Hillel (embora houvesse alguns ítens de discordância, como aquestão do divórcio por exemplo). Hillel, que viveu pouco tempo antesde Yeshua, foi um dos maiores judeus de toda a história, um granderabino.

Veja o impressionante paralelo entre os ensinamentos de Yeshua e aEscola de Hillel:

1) A Escola de Hillel disse:"se alguém busca te fazer o mal, farás bem em orar por ele"(Testamento de Yosef XVIII.2) –
Yeshua disse:"Eu vos digo ainda: Amai aos inimigos de vocês, e orai pelos que vosperseguem;" - Matitiyahu (Mateus) 5:44

2) Em Menahot 4, no Talmud, encontramos o Rabino Shamai querendofazer Tsitsit mais largos do que os seguidores da Escola de Hillel(Menahot 4)
Yeshua disse:"Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens;pois alargam as tiras dos seus tefilin, e aumentam os tsitsiyot dos seusmantos;" – Matitiyahu (Mateus) 23:5

3) A Escola de Hillel disse:"Se o mundo inteiro estivesse reunido para destruir o yud, que é amenor letra da Torá, eles não seriam bem sucedidos" (CanticlesRabá 5.11; Leviticus Rabá 19). "Nenhuma letra da Torá jamaisserá abolida" (Exodus Rabá 6.1).
Yeshua disse:"17 Não penseis que vim abolir a Torá ou os profetas; não vimabolir, mas cumprir.18 Amen, e eu vos digo pois que, até que o céu e a terra passem, demodo nenhum passará da Torá um só Yud ou um só traço, até que tudoseja cumprido." – Matitiyahu (Mateus) 5:17-18

4) A Escola de Hillel disse:"Aquele que é misericordioso para com os outros receberá misericóridado Céu" (Talmud - Shabat 151b; - compare com);
Yeshua disse:"Benditos os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia." -Matitiyahu (Mateus) 5:7

5) A Escola de Hillel disse:"Eles falam 'Remova o cisco do seu olho?' Ele retrucará, 'Remova atrave do seu próprio olho" (Talmud - Baba Bathra 15b).
Yeshua disse:"E por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na traveque está no teu olho?" – Matitiyahu (Mateus) 7:3

6) A Escola de Hillel disse:"É lícito violar um Shabat para que muitos outros possam serobservados; as leis foram dadas para que o homem vivesse por elas,não para que o homem morresse por elas." Todas as seguintes coisaseram lícitas no Shabat, segundo a escola de Hillel (os Sinagoga.">p'rushim quedebatiam com Yeshua certamente eram da escola de Shamai): salvarvidas, aliviar dores agudas, curar picadas de cobra, e cozinhar paraos doentes (Shabat 18.3; Tosefta Shabat 15.14; Yoma 84b; ToseftaYoma 84.15)
Yeshua disse:"Então lhes perguntou: É lícito no Shabat fazer bem, ou fazer mal?salvar a vida ou matar? Eles, porém, se calaram." – Marcus 3:4

7) "o Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat,"também aparece em material rabínico (Mekilta 103b, Yoma 85b). Alémdisto, os Rabinos da escola de Hillel frequentemente citavam Hoshea(Oséias) 6:6 para argumentar que ajudar os outros era mais importantedo que observar ritos e costumes (suká 49b, Deuteronomy Raba em16:18, etc.),
Yeshua disse:"E prosseguiu: O Shabat foi feito por causa do homem, e não o homempor causa do Shabat." – Marcus 2:27

8) A respeito dos exageros nos rituais de purificação, um rabino daescola de Hillel, Yohanan ben Zakai, contemporâneo de Yeshua,disse: "Na vida não são os mortos que te fazem impuros; nem é a água,mas a ordenança do Rei dos Reis, que purifica." - compare com orelato de Marcus 7

9) Os rabinos da escola de Hillel também eram partidários da tese deque é pela graça do Eterno que somos salvos, e não por mérito deobras: "Talvez Tu tenhas grande prazer em nossas boas obras? Mérito eboas obras não temos; aja para conosco em graça." (Tehillim Rabá,on 119:123).

10) A Escola de Hillel também teve disputas com Saduceus a respeitoda questão da ressurreição dos mortos. Veja o que o rabino Gamaliel,neto de Hillel e contemporâneo de Yeshua, disse, referindo osSaduceus a Devarim (Deuteronômio) 11:21 ou Shemot (Êxodo) 6:4, ". . .a terra que יהוה jurou dar aos seus pais," o argumento é lógico econvincente: "Os mortos não podem receber, mas eles viverão novamentepara receber a terra " (Talmud - Sanhedrin 90b)
Yeshua disse:"Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moshe o mostrou, napassagem a respeito da sarça, quando chama a יהוה; Elohim deAvraham, e Elohim de Yits'chak, e Elohim de Ya'akov. Ora, ele não éElohim de mortos, mas de vivos; porque para ele todosvivem." Lucas 20:37-38

11) O rabino Yochanan ben Zakai também conta parábola semelhante àde Yeshua, a respeito de convidados de um rei para o banqueteMessiânico, ao comentar Yesha'yahu (Isaías) 65:13 e Eclesiastes 9:8(vide TalmudShabat 153a).

12) O próprio Hillel disse:"Sejam discípulos de Aaron, amando a paz e perseguindo a paz, amandoas pessoase as trazendo para perto da Torá" (m.Avot 1:12)
Yeshua disse:"9 Benditos os pacificadores, porque eles serão chamados filhos deElohim." – Matitiyahu (Mateus) 5:9"Uma nova mitsvá vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como euvos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros." Yochanan(João) 13:34

13) A "Regra de Ouro" de Hillel:"...e [Hillel] disse a ele "Não faça aos outros o que não deseja quefaçam a você: estaé toda a Torá, enquanto o resto é comentário disto; vai e aprendeisto." (b.Shab. 31a)
Esta regra, que era a base de todo talmid (discípulo) da escola deHillel, é citada explicitamente por Yeshua em:"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhotambém vós a eles; porque esta é a Torá e os profetas." – Matitiyahu(Mateus) 7:12


II.3 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OS ESSÊNIOS

Yeshua também demonstrou grande familiariade com a teologia dosessênios, a qual muito provavelmente aprendeu com Yochanan, seu primo(o qual pouca gente ousaria discordar do fato de que pertenceu aosegmento dos essênios)

1)Os essênios promoviam a unidade (Yachad) em amor. (Philo; AHipotética 11:2)
Yeshua disse:"para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu emti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu meenviaste." – Yochanan (João) 17:21

2) Os essênios estabeleciam um conselho de 12 para direcionar acomunidade (1Q58:1). Compare isto com a autoridade dada a Yeshua paraos 12 talmidim (discípulos), a fim de que eles pudessem gerenciar opovo.

3) Os essênios eram frontalmente contra juramentos (Documento deDamasco - Geniza A; Col. 15; Linhas 1-3) – compare com Matitiyahu(Mateus) 5:33-37

4) Sobre as viagens dos essênios para pregarem a Palavra do Eterno,veja o que diz o historiador Flavius Josefus:"...e se alguém do segmento deles vem de outros lugares, o que elestêm permanece aberto a eles, como se fossem um deles... como sefossem conhecidos deles de muito tempo. Por esta razão eles não levamnada consigo quando viajam a lugares remotos, apesar de ainda levaremsuas armas, por medo de aldrões.Da mesma forma, existe em cada cidadeonde eles vivem, alguém com a atribuição particular de cuidar dosestranhos, e prover roupas e outras necessidades para eles."(Josephus; Guerras 2:8:4) – compare com Matitiyahu (Mateus) 10:9-11 eLucas 22:38

5) A questão do divórcio:"... eles são pegos em duas armadilhas: fornicação, por pegarem duasesposas ao longo de suas vidas apesar do princípio da criaçãoser: "macho e fêmea Ele os criou."(Documento de Damasco - Col. 4 - linha 20 a Col. 5 - linha 1)
Yeshua disse:"Respondeu-lhe Yeshua: Não tendes lido que o Criador os fez desde oprincípio homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem paie mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? Assimjá não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Elohim ajuntou,não o separe o homem." – Matitiyahu (Mateus) 19:4-6

6) A Halacha sobre a questão de "Korban" (uma oferta) ser usada comodesculpa para violar a Torá (vide Matitiyahu / Mateus 15:1-8) - éencontrada de forma similar entre os essênios (Documento de Damasco16:13)

7) No capítulo 4 de Yochanan (João) encontramos a alegoria da "ÁguaViva" saindo do poço de Ya'akov (Jacó) e trazendo a salvação e a vidaeterna. No Manual de Disciplina dos essênios, a lição da "água viva"é encontrada e retirada simbolicamente do poço de Bamidbar (N meros)21:8, identificado pelo pergaminho como sendo a Torá. Podemosconcluir que Yochanan (João) 4 é uma Midrash (interpretaçãoalegórica), baseada num conceito existente entre os essênios naquelaépoca, para concluir que Yeshua é a Torah Viva, nossa fonta de vidaeterna (Compare Yochanan / João 4:10 e Documento de Damasco VI, 4-5;VII, 9 - VII, 21).

8) O uso do Seder de Pessach (a ceia da "Páscoa Judaica") como sendoum banquete messiânico, também era um conceito essênio (Josephus -Guerras 2:8:5; Manual de Disciplina 6:3-6 e 1QSa. 2, 17-21)

9) O conceito de serem 'Bnei Or' (Filhos da Luz - compare Lucas 16:8e Yochanan / João 12:36 com Manual de Disciplina 1,9: 2,24; 1QM)

10) Yeshua conhecia bem o Messias esperado pelos essênios. Veja aexplicação que ele deu a Yochanan Bar Zachariá (João Batista) emLucas 7:22:"Então lhes respondeu: Ide, e contai a Yochanan o que tens visto eouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, eos surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres sãoanunciadas as Boas Novas."
Agora compare com o critério do Messias esperado pelos essênios:
"[os céus] e a terra ouvirão ao Seu Messias, e ninguém se afastarádos mandamentos dos santos. Vocês que buscam ao S-NHOR, fortaleçam-seno serviço dEle! Todos vocês esperançosos em (seu) coração, vocês nãoencontrarão o S-NHOR nisto? Porque o S-NHOR considerará os hassidim(pios) e chamará os justos pelo nome. Sobre os pobres o Seu espíritopairará e renovará os fiéis com o Seu poder. E Ele glorificará oshassidim (pios) no trono do Reino Eterno. Ele que libera os cativos,restaura a visão dos cegos, endireita os [tortos]... E o S-nhor farácoisas gloriosas que nunca houveram... Pois Ele curará os feridos, ereviverá os mortos e trará as Boas Novas aos pobres..." (4Q521)

11) O conceito da "luz da vida" (Yochanan / João. 8:12 & Man. Disc.3, 7)


II.4 - PARALELOS ENTRE YESHUA E OUTROS RABINOS

Vemos ainda alguns paralelos entre Yeshua e outros rabinos. Como aliteratura rabínica é muito extensa, é provável que encontremos aindamuitos outros, mas a idéia deste artigo é apenas a de demonstrar comoYeshua foi muito bem instruído na sabedoria judaica:

1) Normalmente, Yeshua discordava fortemente dos Sinagoga.">p'rushim (fariseus)da escola de Shamai, os quais eram extremamente legalistas em suaobservância da Torá. Vemos apenas UMA situação em que Yeshuaconcorda com a escola de Shamai, que é a questão do divórcio(repudiar a esposa) exposta em Matitiyahu (Mateus) 5:31-32,semelhante à posição da escola de Shamai em m.Gittin 9:10).

2) Algumas expressões tais como "se teu olho direito de ofende,arranca-o" e "se a tua mão direita te ofende, corta-a for a" (Mt.5:29-30) são encontradas em discursos rabínicos semelhantes (videNidá 13b)


II.5 - CONCLUSÃO

"E crescia Yeshua em sabedoria, em estatura e em graça diante deElohim e dos homens." – Lucas 2:52

As Escrituras deixam bem claro que Yeshua recebeu instrução. Porém, oespectro de conhecimento apresentado pelo rabino Yeshua, tanto dasEscrituras, quanto das técnicas de interpretação da mesma, datradição oral, e dos ensinamentos dos sábios e rabinos ao longo dahistória dos judeus, é simplesmente inimaginável!

Tamanho conhecimento e habilidade jamais foram vistos em toda ahistória de Israel, e só poderiam vir do Filho de Elohim!


Parte III
Yeshua, O Rabino


III.1 - INTRODUÇÃO

Para entender completamente o que Yeshua fazia, e também seusensinamentos, é necessário entendermos o que era ser rabino noprimeiro século, como ensinavam, etc.


III.2 - O QUE FAZ UM RABINO?

Quando conhecemos alguém, uma das primeiras perguntas que fazemosé "Qual a sua profissão?" Dependendo da profissão, pedimos também àpessoa para explicar um pouco do que ela faz. Ao conhecermos maissobre a profissão de uma pessoa, passamos a conhecer mais sobre aprópria pessoa, pois ela passa grande parte da vida dela naquelaatividade. Por exemplo, se descobrimos que a pessoa que acabamos deconhecer é um médico, esta informação nos diz bastante a respeito daeducação da pessoa, do seu círculo social, do seu status financeiro eaté mesmo da sua rotina diária.

E se você tivesse a oportunidade de voltar no tempo e encontrar com oYeshua dos Evangelhos, e perguntasse: "O que você faz?" O que Ele tediria? Que tipo de educação um Salvador precisa ter? Qual era ostatus social da profissão de Filho de D-us? Quanto um Messiasganhava por mês? Qual era a rotina de um Libertador? Pois é, estasperguntas não fazem sentido, não é mesmo? Porque o fato é queconhecemos muito a respeito das definições teológicas de Yeshua (i.e.Salvador, Filho de D-us, Messias, etc.), mas normalmente as pessoasconhecem pouco sobre a vocação de Yeshua.

A vocação de Yeshua era rabino. Ele era um rabino de Galil(Galiléia), com muitos admiradores e seguidores. Só estes fatos jános dizem muita coisa sobre quem o rabino Yeshua realmente é.

Naqueles dias, o termo "rabino" ainda não tinha o significado dehoje. Hoje em dia, "rabino" é um termo usado automaticamente paraquem se forma em uma Yeshiva (instituição rabínica). O termo "rabino"era um termo respeitoso para um grande professor. É neste contextoque devemos procurar entender o rabino Yeshua.

Felizmente, a literatura judaica preservou para nós uma granderiqueza em termos de tradições, ensinamentos, parábolas e históriasde grandes rabinos do Judaísmo da mesma era que Yeshua (isto é, daEra do Segundo Templo). Ao compararmos as palavras, as vidas e asaventuras de outros rabinos contemporâneos de Yeshua, conseguimosaprender bastante sobre o que significava ser um rabino no PrimeiroSéculo.


III.3 - QUAL ERA O SALÁRIO DE YESHUA?

Um rabino do Primeiro Século não era um clérigo ou ministro ordenado.Aliás, apesar de muitas vezes serem vistos desta forma (devidoprincipalmente à cultura ocidental), até hoje os rabinos não sãoexatamente ministros. Os rabinos do Primeiro Século não recebiamsalário de uma Sinagoga ou denominação. Ao invés disto, elestipicamente praticavam alguma atividade comercial para sustentar oseu ministério de ensino, ou viviam de doações. Por exemplo, RabanGamliel aconselhava os seus alunos a combinar a prática da instruçãoda Torá com uma atividade mundana (Avot 2:2). Seu aluno mais famoso,o rabino Sha'ul HaBinyamin, mais popularmente conhecido como oapóstolo Paulo, escolheu ser um fabricante de tendas ao invés deaceitar doações de seus talmidim (discípulos).

Outros professores, como Yeshua, ensinavam e faziam talmidim(discípulos) em tempo integral. Tais professores dependiam de doaçõesda comunidade e de seus alunos. (Lucas 8:3 menciona algumas mulheresque apoiavam o ministério de Yeshua. Yochanan / João 12:6 lembra quehavia uma sacola de doações levada por Yeshua e seus talmidim /discípulos.) Quando um rabino decidia se dedicar em tempo integral aoministério, isto normalmente significava ter que levar um estilo devida bastante humilde. Por isto ele disse que as raposas tinham tocase os passáros tinham ninhos, mas o Filho do Homem não tinha um lugarpara recostar a cabeça.


III.4 - ONDE MORAVA E TRABALHAVA YESHUA?

Pelo Talmud, fica bem evidente que na maioria das vezes um rabino doPrimeiro Século ensinava de uma Sinagoga local. As Sinagogas eramnormalmente chamadas de Beit Midrash (Casa de Estudo). Os alunos quedesejavam aprender daqueles rabinos frequentemente viajavam grandesdistâncias e, se fossem aceitos como talmidim (discípulos), elesdedicavam as suas vidas não só a estudar, mas também a viver com oseu rabino. Por outro lado, muitos dos sábios do Judaísmo do PrimeiroSéculo eram itinerantes, viajando de cidade em cidade, de Sinagoga emsinagoga, ensinando a Torá e fazendo talmidim (discípulos). Oministério de Yeshua certamente era itinerante, embora ele tambémutilizasse Kfar Nachum (Cafarnaum) como sua base. Tanto que nosEvangelhos vemos Kfar Nachum (Cafarnaum) sendo chamada de "Suaprópria cidade." (Matitiyahu / Mateus 9:1). Em Kfar Nachum(Cafarnaum), muito provavelmente ele se hospedava em um quarto na casa de Kefá. Contudo, ele certamente rejitou a oferta de setornar um rabino residente de Kfar Nachum (vide Lucas 4:43).

A maior parte do ministério de Yeshua consistiu das viagens dentreYerushalayim (Jerusalém) e Galil (Galiléia). Mas por que? Porque comotodo judeu observante da Torá em Israel, ele tinha que ir aYerushalayim (Jerusalém) e ao Templo para cada uma das três festas deperegrinação: Pessach, Shavuot (Pentecostes) e sukot (Tabernáculos).O Talmud relata que os sábios aproveitavam as grandes multidões deperegrinos para ensinar um grande número de pessoas nas alas doTemplo durante os festivais. Até mesmo aqueles rabinos quenormalmente ficavam em uma só localidade faziam isto, por entenderemque era uma grande oportunidade de ensinar às massas. É por isto quevemos nos Evangelhos Yeshua frequentemente ensinando nas alas doTemplo, sempre durante as Moedim (Festas Bíblicas).


III.5 - QUAL EXATAMENTE ERA A FUNÇÃO DE UM RABINO?

A função de um rabino no início do Judaísmo era a de transmitir osensinamentos (ou seja, a Torá) para a próxima geração. O livro dePirkei Avot ("A Ética dos Pais") começa com estas palavras "Moshe(Moisés) recebeu a Torá do Sinai e a transmitiu a seu talmid(discípulo) Yhoshua (Josué) e aos anciãos; os anciãos aos profetas,e os profetas os homens da grande assembléia (geração de Ezra /Esdras)." (Avot 1:1)

O padrão de professor-discípulo para transmissão da Torá e doconhecimento de D-us foi estabelecido desde de o início da história,e temos como primeiro exemplo mais concreto a Moshe e Yhoshua(Moisés e Josué). Aos professores de cada geração era confiada atarefa de fazer talmidim (discípulos) e formar futuros professorespara a próxima geração. Geração após geração, de professor a aluno,os ensinamentos da Torá eram transmitidos. Um rabino do Judaísmo doPrimeiro Século era dedicado exatamente a esta função (como éconsiderado função de um rabino até hoje): ensinar a Torá de D-us. Opropósito de sua vida era explicar a Torá em termos práticos ecomunicar o conhecimento de D-us para a geração seguinte.


III.6 - OS TRÊS CRITÉRIOS PARA UM RABINO

O Pirkei Avot continua "Os Homens da Grande Assembléia disseram trêscoisas `Seja deliberado em seu julgamento, forme muitos talmidim(discípulos), e faça uma cerca para a Torá." Esta era a função de umrabino do Primeiro Século.

I – Ser deliberado no julgamento: A função de um rabino era sercuidadoso ao tomar uma decisão legal ou ao interpretar as Escrituras.Ele tinha que cuidadosamente examinar todas as evidências. Quando lheera perguntado algo sobre as Escrituras, ou quando tinha que tomaruma decisão como ancião ou juiz em uma corte, ou até mesmo ao tomardecisões sobre a observância da Torá (halacha), um rabino tinha queser cuidadoso e deliberado. Um rabino levava as Escrituras a sério, eas estudava cuidadosamente para ser deliberado em seu julgamento.

II – Formar muitos talmidim (discípulos): A função de um rabino era ade formar muitos talmidim (discípulos). Ele tinha que passar asinstruções a muitos alunos. Se ele não o fizesse, não haveriacontinuidade de geração em geração. Sem talmidim (discípulos), oestudo da Torá e o conhecimento do bem desapareceriam em umapassagem de geração, e a próxima geração cairia em apostasia. Afunção de um rabino era a de formar talmidim (discípulos) que por suavez se tornariam professores e formariam outros discípulos, para quea Torá não se perdesse.

III – Fazer uma Cerca para a Torá: A tarefa de um rabino era a deproteger a Torá, ou seja, proteger os mandamentos para que o povonão caísse em pecado. Por exemplo, para que uma pessoa não cometesseadultério, os sábios fizeram uma cerca, dizendo que um homem nãodeveria ficar sozinho com uma mulher que não fosse sua esposa, paraque não caísse na tentação do adultério. Alguns dizem que Yeshuacondenou o princípio da cerca, mas na realidade o que Yeshua condenoufoi o excessivo legalismo, e o peso que havia nos exageros sobre asleis de cerca. Como em tudo na vida, o ser humano tem a tendência acometer exageros, e as leis de cerca, que eram um conceito válido emuito interessante, tornaram-se um peso muito grande.

Em seu ministério, Yeshua foi um rabino completo, cumprindo os trêscritérios acima. Ele foi deliberado em sue julgamento, tomandodecisões brilhantes a respeito da interpretação da Torá. Ele formoumuitos talmidim (discípulos), mais do que qualquer outro rabinojamais o fez. Além dos Doze Apóstolos, ele tinha centenas de alunosdevotos, e milhares de pessoas que ouviam aos seus ensinamentos. Elefez cercas para a Torá, por exemplo quando disse que alguém quesequer olha para uma mulher com desejo já cometeu com ela adultériono coração. Ou quando disse para não fazermos juramentos, mas que onosso sim seja sim e o não seja não. Nestes dois exemplos, ele fezcercas para os mandamentos de adultério, e para alguns mandamentosrelacionados ao falar (i.e. não levantar falso testemunho, leisa respeito de juramentos, não tomar o nome de D-us em vão, etc.). Vemosentão que Yeshua era um rabino completo.


III.7 - ENTENDENDO AS PALAVRAS DO RABINO YESHUA

Quando começamos a estudar os ensinamentos e metodologias de ensinodos primeiros rabinos, fazemos uma descoberta fantástica. Logopercebemos que muitas das palavras e ensinamentos de Yeshua refletemos ensinamentos de outros rabinos anteriores ou contemporâneos a ele.A metodologia, hermenêutica, argumentação, pressuposições teológicas,e até mesmo os assuntos abordados nos ensinamentos de Yeshua sãofundamentalmente rabínicos. Até mesmo a sua forma de ensinarutilizando parábolas era um método de ensino comum no PrimeiroSéculo. Muitas de suas parábolas são derivadas de parábolas de outrosrabinos anteriores a ele, que Yeshua aproveitou e/ou reformulou paratransmitir Sua mensagem. Em poucas palavras, como rabino, eleutilizou as ferramentas de um rabino para transmitir Suas idéias. Eleutilizou tanto técnicas rabínicas quanto materiais rabínicos, talqual já demonstramos brevemente no segundo artigo desta série.

A literatura judaica nos permite comparar Suas palavras com aspalavras dos rabinos que vieram antes dEle, ou mesmo dos rabinoscontemporâneos a Ele. Assim, conseguimos compreender melhor algumasexpressões idiomáticas obscuras e elementos do estilo judaico queYeshua empregou, ao fazermos tais comparações. Através da literaturajudaica, conseguimos entender melhor os pontos de conflito entreYeshua e o sistema do Judaísmo que existia no Primeiro Século. E omelhor de tudo é que, consequentemente, conseguimos entender melhor aYeshua e à Sua mensagem, dentro do seu contexto original.


III.8 - CONCLUSÃO

Yeshua é um rabino. Seus ensinamentos são fundamentalmente rabínicos.Para entendermos melhor quem Ele foi e o que Ele ensinou, énecessário explorarmos o material e as metodologias rabínicas de Suaépoca.


Parte IV
Um Rabino Muito Especial


IV.1 - INTRODUÇÃO

As três primeiras partes deste estudo mostravam como Yeshua seencaixa na descrição normal de um rabino do Primeiro Século Yeshua foi o único rabino com autoridade para questionar até mesmo astradições rabínicas anteriores. O próprio Judaísmo rabínico reconheceque o Messias tem autoridade para mudar a Halacha (as decisões sobrecomo observar corretamente a Torá), e ensinar a observarpropriamente a Lei do Eterno. Yeshua não mudou a Torá, pois o Eternonão muda, mas questionou muitas tradições rabínicas (embora tenhaconcordado com outras). Yeshua disse "Vocês têm ouvido… mas Eu lhesdigo." Quando dizia esta frase, Yeshua mostrava Sua autoridadeabsoluta. Por isto lemos "Ao concluir Yeshua este discurso, asmultidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava comotendo semichá, e não como os seus professores da Torá."(Matitiyahu / Mateus 7:28-29)


IV.4 – OS MILAGRES DO NOSSO RABINO

O ministério de ensinamento do rabino Yeshua foi complementado evalidado pelas manifestações dos milagres do Reino dos Céus que oacompanhavam. Os doentes foram curados, os que eram oprimidos pordemônios foram libertos, os famintos foram alimentados, os cegosvoltaram a ver, os aleijados andaram, os surdos ouviram, e os mortosvoltaram à vida. Milagres desta magnitude eram muito raros dentreoutros rabinos. Mas no ministério do rabino Yeshua, os milagres erama regra, e não a exceção.


IV.5 – UM RABINO SE TORNA MALDIÇÃO

Os rabinos do Primeiro Século conheciam muito bem a Torá. Sabiam quea Torá, como Palavra do Eterno, é Ets Chayim, mas também podetrazer morte. Por que? Porque o conhecimento do bem não vem sem oconhecimento do mal, e eles sabiam quais eram as consequências de nãoviverem segundo a Torá. Sabiam de todas as terríveis maldiçõesque viriam como consequência disto. Certamente encontraríamos noPrimeiro Século, e até mesmo hoje em dia, muitos rabinos que dariamsua vida para salvar a alguém.

No entanto, nenhum rabino que se preze aceitaria tomar sobre si todasas horríveis maldições que a Torá descreve como sendo consequênciada transgressão. Certamente que não aceitariam nem mesmo a metade.Yeshua, como rabino, conhecia bem a Torá. Sabia de todas ashorríveis maldições, tanto físicas quanto espirituais, que estariapara sofrer, em nosso lugar. E em Seu grande amor, Yeshua decidiu nossalvar. O maior rabino de todos os tempos também demonstrou o maioramor de todos os tempos, ao tomar sobre si algo que todos os outrosrabinos julgavam e ainda julgam impensável.


IV.6 – O RABINO QUE VOLTOU DOS MORTOS

Yeshua também foi o único rabino a ressurgir de dentre os mortos.Nenhum outro rabino na história jamais fez, e jamais fará tal coisa.Se você ainda tem dúvidas sobre isto, imagine a seguinte situação:após a sua morte, os seus talmidim (discípulos) estavam dispersos ecompletamente desnorteados. Eram pobres, sem as doações que eramfeitas ao ministério de Yeshua, não tinham como se sustentar. Estavamdesapontados, pois esperavam ver o seu rabino coroado como rei emYerushalayim (Jerusalém), e no entanto seu rabino foi preso,torturado, morto e nada fez para impedir. A grande maioria dasmultidões que o seguiam agora também estavam desapontadas, sesentindo desiludidas pois também esperavam que Yeshua os libertassede Roma.

Sem dinheiro, sem as multidões, sem rumo, sem o seu pastor, confusos,desiludidos, amedrontados, dispersos, perseguidos por Roma e pormuitos moradores da região de Yehudá: este era o quadro dos talmidim(discípulos) de Yeshua. E no entanto, algo acontecesse. Eles passamde adolescentes amedrontados a intrépidos proclamadores do Reino dosCéus, ao ponto de levarem adiante a mensagem de Yeshua até os confinsda Terra, dispostos a darem suas vidas por esta mensagem. O quemudou? Justamente o fato de que Yeshua ressurgiu dos mortos, eapareceu para eles. Sem isto seria impossível imaginar que ostalmidim (discípulos) seriam capazes de levarem sozinhos uma mentiraadiante.


IV.7 – SEGUINDO O RABINO YESHUA

Uma coisa é saber que Yeshua foi um rabino e até chamá-lo de rabinoYeshua. Outra coisa bem diferente fazer dEle o seu rabino. Tal comono Primeiro Século, até os dias de hoje existe uma grande diferençaentre aqueles que são curados ou salvos por Yeshua, e aqueles quedecidem serem seus talmidim (discípulos). Para realmente aprendermosde Yeshua como os primeiros talmidim (discípulos) faziam, temos queentender como Ele vivia, e procurar viver da mesma forma, e seguí-lo.Pois o chamado de Yeshua é para que nós o sigamos. Se desejamosconhecê-Lo como Ele realmente é, devemos experimentá-Lo não apenascomo Salvador, mas também como Mestre e S-nhor, e devemos dedicarnossas vidas ao discipulado dEle.

Assim como ocorria no contexto do Primeiro Século, devemos entenderque ser discípulo de Yeshua é estar aprendendo constantemente dEle. Éum processo de uma vida inteira. O mesmo chamado de Yeshua estádisponível até hoje.